Receção na Nunciatura Apostólica, em Lisboa, por D. Andrés Carrascosa Coso, Núncio Apostólico em Portugal (1 de Junho de 2026). 

 

Junho foi, para a Delegação Portuguesa da Tota Pulchra, o mês em que a programação regular e a vida institucional se encontraram. Os recitais e as visitas guiadas mantiveram o seu ritmo, o voluntariado continuou a sua rota discreta pela cidade e, em paralelo, a delegação foi recebida, no espaço de um mês, pelas duas mais altas representações da Igreja em Portugal: primeiro o Núncio Apostólico, e no final com o Patriarca de Lisboa. Nenhuma destas audiências nasceu do acaso. Ambas resultam de um trabalho contínuo que junta música, património, pensamento e presença junto dos mais frágeis, e que começa a ser lido como aquilo que é: um todo coerente.

O mês abriu ainda com o eco da conferência de 27 de Maio, na Capela da Carreira, dedicada ao tema «Comunicação (Social), Igreja e Actualidade», no âmbito do ciclo Sociedade, Religião e Cultura. Reuniram-se três vozes que raramente se sentam à mesma mesa: Aura Miguel, vaticanista da Rádio Renascença e a jornalista portuguesa que mais viagens apostólicas acompanhou a bordo do avião papal; Pedro Gil, consultor de comunicação da Igreja e director do Gabinete de Imprensa do Opus Dei; e o Padre Pedro Figueiredo, missionário digital do Patriarcado de Lisboa. Falou-se do ruído que cresce à medida que os canais se multiplicam, da diferença entre a palavra que informa e a palavra que forma, e do desafio, mais antropológico do que técnico, de dizer a fé numa esfera pública fragmentada. A sala respondeu com uma atenção que confirmou a intuição do ciclo: há sede de conversa séria.

A 1 de Junho, a delegação foi recebida na Nunciatura Apostólica, em Lisboa, por D. Andrés Carrascosa Coso, Núncio Apostólico em Portugal. Foi uma visita de cortesia e de apresentação: deu-se a conhecer a delegação, o seu percurso desde a fundação e o conjunto de actividades que promove, das conferências aos recitais, das visitas guiadas ao trabalho social. Recebidos na «Casa do Papa», como recorda o azulejo à entrada, os representantes da Tota Pulchra encontraram no Núncio uma escuta atenta e um interesse real pelo modo como a beleza pode servir a missão da Igreja.

A 9 de Junho, a Igreja da Pena acolheu «Rumor», sexto recital da Temporada 2026 dos Recitais ao Ocaso, ciclo mensal promovido pela Academia da Pena em parceria com a Paróquia de Nossa Senhora da Pena e a Tota Pulchra. Ao fim da tarde, no formato breve que se tornou marca do ciclo, o órgão voltou a propor à cidade meia hora de escuta, nesse intervalo exacto em que Lisboa acelera para a noite e a colina de Santana convida a parar.

O dia 20 de Junho concentrou a programação num sábado duplo. De manhã, às 11h15, a Basílica dos Mártires recebeu mais um recital do Ciclo de Recitais dos Mártires “Zéfiro – Ventos lusos” reafirmando o Chiado como palco regular da proposta artística da delegação. À tarde, às 16h30, a atenção regressou à Igreja da Pena para a Visita Guiada com Música «Santos (im)populares», com comentário do Diácono Leopoldo Vaz e órgão de Rui Valdemar. Em mês de Santo António, quando a cidade celebra os seus santos mais festejados, a visita propôs a pergunta inversa: e os santos que a rua esqueceu? A hagiografia inscrita na talha, nos altares e nas telas da Pena serviu de resposta, com a música a funcionar como chave de leitura e não como adorno.

 

À entrada da Igreja da Pena, no dia da Visita Guiada com Música «Santos (im)populares» (20 de Junho de 2026).

 

As restantes actividades da delegação decorreram com a habitual regularidade, do voluntariado à vida corrente das parcerias que sustentam a programação.

Foi já com Julho à porta que o mês fechou em tom maior. No dia 2 de Julho, a delegação foi recebida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. Apresentou-se o trabalho realizado, a programação em curso e os projectos desenhados para 2026 e 2027; e o Patriarca, além do encorajamento expresso, aceitou o convite para se associar a algumas das actividades que a delegação promove. Para uma delegação que em pouco tempo passou das primeiras conferências à presença regular em duas igrejas históricas de Lisboa, esta receção tem um significado simples de enunciar: o trabalho é visto, e é visto ao mais alto nível. Julho dirá o resto, com o recital dos Mártires e a visita guiada marcados para o dia 18 e novo Recital ao Ocaso a 21. A porta, essa, ficou aberta.

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