Na passada sexta-feira, Salamanca acolheu a inauguração do Instituto Universitário de Música Sacra da Universidade Pontifícia. Passa a ser a única instituição académica na Península Ibérica dedicada em exclusivo à música litúrgica e nasce num momento em que a necessidade de formação séria neste campo se faz sentir com uma urgência que já não se pode ignorar.
A sessão inaugural reuniu o reitor da UPSA, Santiago García-Jalón de la Lama, o diretor do novo Instituto, Francisco José Udaondo, e o padre Luis Elizalde, compositor e último diretor da extinta Escola de Música Sagrada de Madrid. Elizalde recordou que já nos anos 60 se realizavam em Salamanca cursos de canto gregoriano. Uma clara mostra que a cidade não está a inventar uma vocação, mas sim a recuperá-la.
Tudo isto sustentado por um diagnóstico partilhado por quem trabalha neste campo há décadas. Faltava, em Espanha e em toda a Península, uma estrutura estável e universitária capaz de formar músicos, investigadores e especialistas com o rigor que a música sacra exige. As iniciativas anteriores, por mais meritórias, acabaram interrompidas ou canceladas. A UPSA pretende oferecer o que nunca existiu de forma continuada.
O plano a médio prazo está traçado e foi solenemente apresentado. Em setembro de 2027 arranca um Mestrado de Formação Permanente em Música Sacra, orientado para a especialização de intérpretes e investigadores. Foi também anunciado o I Concurso Internacional de Composição Sacra, pensado para estimular nova criação sem romper com a tradição. E para o mesmo horizonte está prevista a inauguração de um grande órgão sinfónico no espaço monumental de La Clerecía, o edifício barroco que é, desde 1940, a sede da Pontifícia.
Acompanho este processo desde 2022. Nessa altura, e no contexto de outra instituição, conversava frequentemente com Francisco Udaondo sobre a viabilidade de um polo académico com estas características. Os caminhos que então explorámos não vingaram nesse formato, mas a semente ficou. Ver agora o projeto ganhar corpo em Salamanca, com enquadramento institucional sólido e ambição à altura, confirma o que sempre nos pareceu evidente, a ideia era boa e o momento acabaria por chegar.
Para a Tota Pulchra, este é um desenvolvimento que seguimos com particular atenção. Há vontade, de ambos os lados, de estreitar a colaboração institucional e garantir ao Instituto rede, visibilidade e apoio num setor onde a dispersão é a regra. A música sacra precisa de pensamento estruturado, de massa crítica e de pontes entre quem investiga, quem forma e quem programa. É nesse trabalho de ligação que nos continuaremos a posicionar.
09.03.2026
